É incrível como as pessoas se metamorfoseiam. É impossível prever passos, decisões de seres humanos tão imprevisívelmente destrutivos. Venho sofrendo as consequencias das inconsequencias alheias e das minhas próprias. O abismo e a escuridão que outrora pensei terem acabado estavam aqui a todo momento. Você sempre está aqui. Eu sempre estou aí. É tão inevitável como o passar dos dias.
Bem sabemos que fugimos a cada dia do fatal destino. Ou do maravilhoso destino. Pra quem mais esse sentimento poderia estar destinado? Quem mais poderia estar nessa maluquice desatinada cheia de antes e depois; cheia de meios e entremeios.
Eu sabia que o tempo tinha que passar. Nós sabíamos.
Só não sabia que a escuridão era tão escura, que os lábios eram tão macios, que a falta era tão cortante e que a imprevisão era tão imprevista que ficava andando de mãos dadas com a vida.
A VIDA. Nós nos perdemos por ela. Será que é possível voltar? Não, mas é possível prosseguir, naquele caminho que um dia, despretenciosamente, afirmamos ser correto. Mais que isso, um caminho sem fim. Era um caminho em que podíamos acreditar que nem a vida tinha fim, de tão infinito que era.
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