Muita
gente mostrou-se aliviada após a revelação de que alguns dados da pesquisa
divulgada pelo IPEA não eram ‘exatamente exatos’. Este sentimento de alívio
traz a reboque o descredito com relação às manifestações que ocorreram nas
redes sociais contra o estupro e contra a ‘culpabilização’ das vítimas.
Nós
não precisamos da pesquisa do IPEA e digo isto porque sou mulher e percebo a
realidade ao meu redor. Nós vivemos sim em um país demasiadamente machista e
não adianta querer empurrar a poeira para baixo do tapete. Não adianta fingir
que as mulheres não são 'encoxadas' no transporte público, assediadas na rua e
inibidas de sua liberdade. Não adianta fingir que nós mulheres sempre temos que
provar a todo momento que somos capazes. Tudo isto é tão evidente, mas é feio e
a sociedade que esconder e fingir que vivemos em um mundo igualitário e
bonzinho.
As pessoas que
se manifestaram contra todo esse machismo e essa mania feia de colocar a culpa
na vítima da violência não precisam da pesquisa do IPEA para fazerem suas vozes
ecoarem por onde elas quiserem. Afinal, a voz da mulher, a voz das vítimas, já
sofre um apagamento secular. Chega de ficar calada para evitar conflito ou
ficar em uma posição esperada e naturalizada para agradar os olhos da
sociedade machista.
Segue o link
para um vídeo feito na Índia sobre o mesmo assunto (pra ver como não é só no
Brasil): It's your fault (É sua culpa)
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