quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Você não sabia quem era. Estava perdida na ausência, desencontrada na exatidão de um futuro inexorável. Todos os dias você olhava pela janela e esperava pela volta; incansável era você.

Você só sabia recitar os mesmos poemas repetidas vezes e quando se apaixonava, dedicava sempre as mesmas músicas que já havia dedicado à quem amou no passado. Estava sempre buscando a mesma pessoa.

Todas as noites você suspirava olhando solitária para todos os retratos na parede. Uma vez uma lágrima caiu de seus olhos. Ela tão solitária quanto.

Você queria o mundo mas mesmo sabendo onde encontrá-lo, não movia seus pés para caminhar de encontro a ele. A vida era estática.

Todos os meses você caminhava até aquele mesmo lugar. Você tentava recuperar o velho cheiro. A bengala resvalava na beirada da ciclovia.

Você era a mais bela e inteligente. Agora, amargurava as mentiras. As pessoas mentem muito.

Todos os anos você fechava uma velha agenda e abria uma champagne. O que comemorar? Já se foi o tempo que passou.

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