segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Poucas vezes

Poucas vezes a porta bateu com tanta força
e ninguém segurou
Os barulhos se seguiam
gemidos sibilantes em espaços delirantes

meus lençóis intactos
meus corpo numa outra cama
meu corpo suspenso
um corpo sem toque

as unhas procurando as costas
os suspiros iam procurando os ecos
minha vida ia procurando razões

os espaços vazios
de corpos sibilantes
a agonia fria
de passos relutantes

sem pensar fui me atirar
no espaço de ecos gigantes

meus lençóis intactos
eu fujo na noite
eu esqueço as palavras
seguro no vazio
vou levando calada

Poucas vezes eu deixei passar
O pés nos meus pés
a boca sem saliva
a mordida no canto da boca
a nuca suada
os cantos

minha fala sem voz
Foram poucas as vezes.

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