Por mais sozinha que ela estivesse, ainda existia a capacidade de suspirar, pensar no futuro. E ela suspirava. Aquilo era necessário para seguir em frente, superar madrugadas, esmurrar teclados a procura de textos que suprissem o seu vazio.
Ela nunca sabia direito onde estava indo. Entregava-se ao sabor do destino esperando por uma mão que a puxasse bruscamente e a tirasse do escuro.
Ela deixou a vida passar, os amores passarem, o sabor passar. Ela esperou o perfeito, baseou suas decisões em orgulho e escondeu os sentimentos mais profundos que sentia.
O tempo pra ela era um palhaço, brincando de envelhecer a gente. Poucas vezes ela pensava no peso de suas costas, nas rugas no seu rosto. Ela esperava pacientemente pela próxima cena. Esperava sem saber que não tinha mais o que esperar.
No seu último suspiro pensou nela. Aquela. Mil dúvidas, incertezas, desencontros. Truques de uma mente que não quis admitir, voltar atrás.
Na próxima vida quem sabe um reencontro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário