Um homem que vinha caminhando pela rua, sem perceber nada a sua volta, de repente repara uma nuvem comprida no céu. Ele está atrasado para entrega alguns papéis em um escritório do outro lado da cidade. Mas aquela nuvem o fez esquecer tudo o que tinha pra fazer naquele dia.
Ele decidiu sentar num banquinho e observar aquela nuvem. Branquinha, comprida, intrigante. Aos olhos das pessoas que também passavam por ali, aquela era apenas mais uma nuvem. Para ele era a expressão de algo que residia em seu interior.
O homem ficou por ali até anoitecer. Quando a escuridão do céu noturno levou o último pedacinho visível daquela nuvem insistente, ele levantou do banco e foi pra casa.
Foi pra casa, mas não conseguia parar de pensar na nuvem. Ele precisava alcançá-la, tê-la para si; para sempre. Pensou em comprar um balão, pensou em deixar o emprego, pensou em se matar.
No dia seguinte ele saiu, determinado a procurar a nuvem naquele mesmo lugar, mas o que ele mais temia aconteceu. O céu do dia seguinte era totalmente nublado. Sua nuvem perde-se no meio das outras. Na verdade ele nem sabia se ela estava mesmo por ali.
Se passarmos qualquer dia ali pela orla de copacabana ainda podemos vê-lo, sentado ou deitado no banquinho, olhos fixos no céu, procurando aquela nuvem comprida, branquinha, única.
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